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Idílio

escrito por JACKSON PEDRO LEAL em 27. Oktober 2016:


“Idílio Proibido”

Eu voltava para casa naquele dia quente e abafado de verão e como sempre escolhia intuitivamente o mesmo caminho e ao atravessar a praça que ficava bem perto de minha casa, quando subitamente ao olhar para o chão, em um determinado ponto, quase tropeçara em uma carteira de cédula. Logo, eu tentei de alguma forma descobrir, à propósito, quem havia perdido aquela carteira. Mas para minha despretensiosa curiosidade eu percebi que ela continha apenas uma humilde quantia em dinheiro que não dava nem para o cafezinho no barzinho da esquina e uma carta amassada, que parecia ter ficado ali por muitos anos. No envelope, por sinal muito sujo, a única coisa legível era o endereço do remetente. Então, eu comecei a ler a carta tentando achar alguma dica. Logo, eu vi o cabeçalho. A carta tinha sido escrita quase 60 anos atrás. Ela tinha sido escrita com uma linda grafia feminina em azul claro sobre um papel de carta com uma flor ao canto esquerdo. A carta dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar com o Thomas.
Mas ela escrevia a carta para dizer que sempre o amaria... Assinado Brenda. Sabe, era uma carta bonita, mas não havia nenhuma maneira, exceto o nome Thomas, para descobrir o verdadeiro dono daquela carteira. Contudo, eu tive a idéia de entrar em contato com a Companhia telefônica e logo expliquei o problema ao operador e aproveitando o ensejo lhe pedi o número do telefone no endereço que havia no envelope. Não obstante, o operador disse que havia um telefone mas que não poderia me dar o número. Por sua própria iniciativa, entrou em contato com o número, explicou a situação e fez uma conecção daquele telefone comigo. Então, ao ser contactada eu perguntei a senhora do outro lado, se ela conhecia alguém chamada Brenda. Ela ofegou e respondeu: “oh! Nós compramos esta casa de uma família que tinha uma filha chamada Brenda. Mas isto foi há 30 anos!” - “ E você saberia onde aquela família pode ser localizada agora? ” Eu perguntei. – Do que me lembro, aquela Brenda teve que colocar sua velha mãe em um asilo alguns anos atrás”, disse a mulher. “talvez se você entrar em contato eles possam informar”. Ela me deu o nome do asilo e eu liguei. Eles me contaram que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás, porém eles tinham um número de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo. Eu lhes agradeci e telefonei. A mulher que respondeu explicou que aquela Brenda estava morando agora em um asilo. A coisa toda começa parecer estúpida, pensei comigo mesmo. Para que estava fazendo aquele movimento todo para achar o dono de uma carteira que tinha apenas umas migalhas em dinheiro e uma carta com quase 60 anos? Apesar disto, liguei para o asilo, no qual era sugerido que Brenda estava vivendo e o homem que atendeu me falou, - Sim, a Brenda está morando conosco. Embora já passasse das 22 horas, eu perguntei se poderia ir para vê-la. – “Bem”, ele disse hesitante, “se você quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo TV”. Eu agradeci e corri para o asilo. A enfermeira da noite e um guarda me cumprimentaram à porta. Nós fomos até o 3º andar. Na sala, a enfermeira me apresentou a Brenda. Ela era uma doçura, cabelo prateado com um sorriso calmo e um brilho no olhar. Então, lhe falei sobre a carteira e mostrei a carta. Assim que viu o papel da carta com aquela pequena flor à esquerda, ela respirou fundo e disse: - “ Esta carta foi o último contato que eu tive com o Thomas”. Ela pausou um momento em pensamento e então disse suavemente: - “ Eu o amei muito”. Mas na ocasião eu só tinha 16 anos e minha mãe achava que eu era muito jovem. Oh! Ele era tão lindo ! Ele se parecia com Sean Connery – o ator”. – “ Sim”, ela continuou. “Thomas Benson era uma pessoa maravilhosa. Se você o achar, diga-lhe que eu penso ainda muito nele. E...”, ela hesitou por um momento, e quase mordendo o lábio, “... diga-lhe que eu ainda o amo. Sabe”. Ela disse sorrindo com lágrimas que começaram a rolar em seus olhos... – “ E eu nunca me casei. Eu jamais encontrei alguém que correspondesse ao Thomas...” Eu agradeci a Brenda e disse adeus . Quando passava pela porta da saída, o guarda perguntou: - “ A velha senhora pode lhe ajudar? “Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu acho que vou deixar isto para depois. Eu passei quase o dia inteiro tentando achar o dono desta carteira”. Mas quando o guarda botou os olhos na carteira, ele disse: - “ Ei, espere um momento! Isto é a carteira do Sr. Benson. Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele está sempre perdendo a carteira. Eu devo tê-la achado pelo menos umas três vezes”. – “ Quem é o Sr. Benson? ” Eu perguntei com minha mão começando a tremer. – “ Ele é um dos idosos do 8º andar. Isso é a carteira de Thomas Benson sem dúvida. Ele deve ter perdido em um de seus passeios”.

Agradeci o guarda e corri ao escritório da enfermeira. Ai lhe falei sobre o que o guarda tinha dito. Nós voltamos para o elevador e subimos. Já no oitavo andar, a enfermeira disse: - “ Eu acho que ele ainda está acordado. Ele gosta de ler à noite. Ele é um homem bem velho”. Logo, nós fomos até o único quarto que ainda tinha luz e havia um homem lendo um livro. A enfermeira foi até ele e perguntou se ele tinha perdido a carteira. O Sr. Thomas Benson olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e disse: - “ Oh, está perdida! ” - “ Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós queremos saber se é sua? “ Eu entreguei a carteira ao Sr. Benson e ele sorriu com alívio e disse: - “ Sim, é minha! Eu devo ter derrubado hoje à tarde. Eu quero lhe dar uma recompensa”. – “Não, obrigado”, eu disse. “Mas eu tenho que lhe contar algo. Eu li a carta na esperança de desçobrir o dono da carteira”. O sorriso em seu rosto desapareceu de repente. – “ Você leu a carta? “ - “ Não só li, como eu acho que sei onde a Brenda está”. Ele ficou pálido de repente. Brenda?
Você sabe onde ela está? Como ela está? É ainda tão bonita quanto era? Por favor, me fale dela”, ele implorou. – “Ela está bem... É bonita da mesma forma como você a conheceu”. Eu disse suavemente. O homem sorriu e perguntou: - “ Você pode me falar onde ela está? Quero chamá-la amanhã! Ele agarrou
minha mão e disse: - “ Eu estava tão apaixonado por aquela me-
nina que quando aquela carta chegou minha vida literalmente terminou. Eu nunca me casei. Eu sempre a amei. “ Sr. Benson, eu disse, “venha comigo”. E nós fomos de elevador até o tercei- ro andar. Nós atravessamos o corredor até a sala onde Brenda estava assistindo TV. A enfermeira caminhou até ela: - “ Brenda
ela disse suavemente, enquanto apontava para Thomas que estava por demais ansioso esperando comigo na entrada. – “ Vo
cê conhece este homem? “ Ela ajeitou os óculos, olhou um mo-
mento, mas não disse uma palavra. Thomas disse suavemente, quase em um sussurro: - “ Brenda, é o Thomas. Lembra-se de mim? - “ Thomas! Eu não acredito nisto! Thomas! É você?! O meu Thomas!! “ Ele caminhou lentamente até ela e se abraça-
ram demoradamente... A enfermeira e eu partimos com lágri-
mas rolando em nossas faces. – “ Veja! Eu disse. “ Veja como
o bom DEUS trabalha! Se tem que ser será! “
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada do asilo em meu escritório. – “ Você pode vir no domingo para assistir a um casamento? O Thomas e a Brenda Vão se casar! “ Bom, foi um casamento lindo, com todas as pessoas do asilo devidamente vestidos para a celebração. Leticia usou um vestido bege claro e lindo. Thomaz usou um terno azul escuro impecável. O hospital lhes deu o próprio quarto e se você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um Noivo com 79 anos agindo como dois adolescentes, você tinha que ver este par. Um final perfeito para um caso de amor que tinha durado quase 60 anos.


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